Diploma não garante emprego, e jovens repensam a carreira

País ganhou mais 3 milhões de desempregados em 2016 e 900 mil formandos entraram no mercado

Por ano, cerca de 900 mil pessoas se formam na faculdade, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Em busca de uma vaga, eles dão de cara com um mercado de trabalho cada vez mais achatado. Só em 2016, o volume de empregos encolheu 1,9 milhão de vagas. É a crise afetando principalmente os jovens, que terão que achar uma colocação em um cenário que ganhou, só no último ano, 3 milhões de desempregados. Diante desse desafio, já tem muita gente repensando carreiras e mudando de sonho.

Em março deste ano, Felipe Reis, 25, vai se formar em engenharia civil com notas acima da média, além do diferencial de ter cursado disciplinas na Inglaterra durante um ano. Ele conta que, quando entrou na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), em 2010, havia uma disputa acirrada entre as grandes empresas, que praticamente laçavam os recém-formados na porta da faculdade. Agora, para conseguir um emprego, Reis acha que a alternativa será fazer um curso técnico.

“Está tão difícil que nem estágio remunerado eu consegui. Então, eu pretendo voltar a um curso de técnico em edificações, pois acho mais fácil conseguir me colocar assim”, afirma Reis. O universitário diz que tem visto muitos amigos engenheiros serem contratados como analistas.

Outra alternativa seria seguir a carreira acadêmica. “Eu sempre fui contra professores que dão aula sem terem atuado na prática. Mas, infelizmente, talvez tenha que partir para esse caminho. Está muito difícil. Tem muita gente com experiência voltando ao mercado, e as vagas, que são poucas, ficam muito concorridas”, lamenta Reis.

O sonho de Aurez da Silva Santos, 29, é fazer um curso superior de gestão em segurança privada para atuar na área administrativa. Mas, por hora, terá que se contentar com um curso técnico de segurança do trabalho. “É o que está cabendo no bolso neste momento. E isso porque eu consegui uma bolsa de 50%”, conta Santos, que procura por emprego de vigilante patrimonial.

Disputa. O professor de economia da Faculdade IBS/ Fundação Getúlio Vargas (FGV) Flávio Correia afirma que os jovens estão entre os mais afetados pela crise, ao lado de profissionais na faixa dos 55 aos 60 anos. “Os jovens não têm a experiência e ainda terão que concorrer com esses profissionais mais velhos, que também estão procurando emprego. A recontratação ainda vai demorar um pouco, pois os empregadores precisam ter certeza da retomada econômica. Acredito que as propostas de mudanças, como flexibilização das leis trabalhistas, serão importantes para incentivar a retomada”, comenta o professor da FGV.

Menos oportunidades. Nos últimos dois anos, a taxa geral de desemprego em Belo Horizonte subiu de 6,6% para 11,5%. A dos jovens de 18 a 24 anos foi de 16,9% para 25,8%, segundo o IBGE.

Geração sem preparo para crise

A quantidade de jovens em busca de emprego é grande, mas nem todos estão dispostos a aceitar as oportunidades que aparecem. Jacqueline Rezende, especialista em gestão estratégica de pessoas e diretora da Sias Educação e Consultoria, afirma que a juventude nunca enfrentou uma crise tão pesada e não está preparada para passar por ela.

“Eles precisam entender que o mercado funciona sob pressão e que a entrega tem que ir além do combinado, tem que vestir e suar a camisa. Ansiosos, muitos chegam à entrevista perguntando sobre quando serão promovidos. Já ouvi até a seguinte pergunta: será que essa empresa vai emendar o Carnaval?”, revela.

Segundo Jacqueline, a cada 15 entrevistas de emprego que marca com candidatos de 20 a 32 anos, apenas oito comparecem. Acima de 35 anos, esse número sobe para 12.

A especialista ressalta que, hoje, o comportamento do entrevistado tem o mesmo peso da qualificação. “Não adianta chegar com um currículo esplendoroso. É preciso aliar as competências técnicas às comportamentais”,diz.

Jacqueline considera ser fundamental usar bem o tempo em cursos, buscar trabalhos voluntários e assistir a palestras gratuitas.

Fonte: http://www.otempo.com.br/capa/economia/diploma-n%C3%A3o-garante-emprego-e-jovens-repensam-a-carreira-1.1429031

Com bolsa de estudos atrasada, doutora distribui currículo na rua

Amanda Brum é uma pesquisadora de sucesso. A bióloga está no terceiro pós-doutorado – uma vida de estudos que em qualquer outra realidade lhe garantia uma vida financeira saudável. Mas, na atual situação do país, a realidade é outra. Brum foi vista nessa semana distribuindo currículo em um sinal do bairro Botafogo, no Rio de Janeiro. Ela está há quase três meses sem receber a bolsa de pesquisa da Faperj, que é de R$ 4.100.

Segundo o site do O Globo, a Faperj confirmou que os pagamentos dos meses de novembro e dezembro da pós-doutoranda não foram depositados. No desespero, Amanda vestiu uma camisa preta com a frase: “Bióloga mestre doutora procurando emprego”. Foram distribuídos 100 currículos. A postagem no Facebook garantiu a divulgação além do esperado: 2,8 mil curtidas e mais de 3 mil compartilhamentos em quatro horas. E diversas pessoas pediram o currículo da Amanda na rede social.

“Tive a ideia em um dia de desespero, vendo meninos vendendo bala no sinal. Pensei: qual é a diferença entre eles e eu distribuindo currículo? Alguns amigos acharam uma boa ideia, outros foram contrários. No começo eu tremi muito. Era uma situação desconfortável explicar como fui parar ali. Semprei estudei no ensino público, a população é que me pagou. Os motoristas ficaram consternados. Alguns nem abriam o vidro do carro, outros acharam que eu era pedinte”, conta a pesquisadora.

E se engana quem pensa que ela não tentou pedir emprego em sua área. A jovem explica que bateu perna entre universidades e laboratórios, mas não conseguiu oportunidades.

Fonte: http://cidadeverde.com/economiaenegocios/81430/com-bolsa-de-estudos-atrasada-doutora-distribui-curriculo-na-rua

Boa dica para buscar emprego em 2017: ‘Ninguém quer se aliar a perdedores’

Muitas empresas demitiram e reduziram custos. O número de desempregados cresceu e a chance de uma nova oportunidade ficou menor devido à concorrência. Por isso, para se reinserir é preciso estar preparado.

Segundo o especialista em recursos humanos Júlio Pugliesi, passar uma imagem negativa durante entrevistas de emprego pode custar a oportunidade. “Ninguém quer se aliar a perdedores. Todo mundo quer se aliar a ganhadores”, argumenta.

Para o especialista, uma má impressão durante a entrevista pode fazer com que o contratante pense que o candidato está desanimado e que “não vai ser um profissional eficiente”, explica.

Recolocação no mercado
Com mais de 30 anos de experiência como vendedor, o aposentado Darli Moreira resolveu participar de uma entrevista para buscar uma recolocação no mercado de trabalho. “Existe somente uma vaga, mas eu não sei o número de candidatos. Eu estou com bastante esperança”, conta.

Para ter mais chances que a concorrência, o administrador de um dos maiores sites de emprego da região, Alex da Silva, explica que é necessário se preparar para buscar uma vaga no mercado de trabalho.

“Grande parte das vezes que a gente vê um candidato, os candidatos não estão preparados. O currículo não é bem preparado, ou ele não é bem direcionado para a vaga”, afirma Silva.

Análise e conhecimentos
De acordo com o administrador, além de preparar um bom currículo, é necessária uma análise da vaga e dos objetivos que o candidato deseja alcançar.

“Procurar realmente uma oportunidade que se encaixe no perfil, onde ele possa realmente desenvolver uma atividade profissional”, ressalta.

Dentre as dicas para conseguir uma oportunidade, Júlio Pugliesi recomenda ter uma rede de contatos, atualizar as vagas disponíveis e os conhecimentos técnicos. Para ele, o profissional deve ser entusiasmado e com vontade de vencer.

“Hoje não deu, mas a esperança não pode morrer. 2017 vai ser ótimo”, diz a dona de casa Vilma Sampaio, que tenta recolocação.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/concursos-e-emprego/noticia/2016/12/veja-dicas-para-ter-emprego-em-2017-ninguem-quer-se-aliar-perdedores.html